sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mais umas soltas ou interligadas

Eu não gosto de decisões, de escolhas. Não gosto! E não é por não saber aquilo que quero, é por saber que optar significa perder alguma parte. Deve ser por isso que gosto tanto da máxima "dois proveitos não cabem num saco estreito". Sempre me ajuda a aceitar a inevitabilidade de alguma perda. Por outro lado, estou convicta que quando estamos 100% seguros de uma determinada opção, esta deixa de ter peso e assume-se como natural. O pior é que nem todas as decisões são acompanhadas de um nível total de certeza. Há decisões complexas, com carácter irreversível e são estas que desequilibram a minha balança.

Aliás, é esta balança que habita em mim que me causa estas angústias, estas oscilações. Felizmente que conto com lucidez suficiente para que não me tolde os movimentos.

Por falar nisso, acabei de ver o último filme do Woody Allen. Cada vez mais aprecio os filmes dele, porque são filmes simples, sem truques, sobre pessoas e a vida das pessoas.

Por falar nisso, hoje estive presente numa reunião de pais, aliás mães. Excepto o professor, um avô e o meu colega, a população era toda feminina. A reunião foi à pressa porque as senhoras estavam com pressa para ir fazer o jantar. Porque é que tenho a impressão que a igualdade entre os géneros é algo que ainda vai demorar uma eternidade? A culpa é em parte das mulheres, sempre com o multitask ligado. Ok, já que iam à reunião, não podiam pôr os maridos a fazer o jantar? Irrita-me esta ainda condição feminina, o contentamento de algumas que referem orgulhosas "ele até ajuda em casa".

Por falar nisso, apesar de ter dito a alguém para tratar do jantar, acabei por ser eu a cozer a massa e a aquecer a sopa. Ao menos a culpa não foi do benfica, foi do teatro, que em como quem diz: falas, falas mas comes o mesmo :)

Por falar nisso, a minha amiga S. faz hoje 31 anos. Para ela, dois beijos muito grandes.

Por falar nisso, acho que me vou deitar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Queda de um Anjo :)

Hoje caí pelas escadas abaixo.
Não é fixe!

E é nestas ocasiões que percebemos a fragilidade do nosso corpo, do milagre que é a nossa integridade física. Não foi bonito e fez muito doer, mas pode ser que não vá para além disto. Liguei para a Saúde 24 e tive um atendimento de luxo. Fizeram imensas perguntas, inclusive se alguém me tinha empurrado ou se eu tinha caído sozinha. Deram-me as indicações e disseram que voltariam a ligar por volta das 21H para saberem se eu estava melhor. E não é que ligaram mesmo? Nem queria acreditar! Agora só espero conseguir mexer-me amanhã de manhã.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Soltas de Ano Novo

1. O ano começou em terras de Roma. Gosto daquele ditado/expressão que diz que aquilo que fazemos durante o primeiro dia do ano se reflecte na forma como vivemos esse ano - pelo menos, fico na esperança que 2010 seja um ano igualmente rico em viagens, que não posso queixar-me de 2009. De Roma a registar: os romanos não são simpáticos, a cidade não é acolhedora, o vaticano é uma desilusão (volta Fátima, estás perdoada!), as pizzas são óptimas e é de facto um "museu a céu aberto".

2. Mas voltando ainda a Dezembro e ao Natal tenho de partilhar uma irritação pessoal com a TVI. Como é que é possível que a TVI tenha sido incapaz de prescindir daquele brilhante programa de televisão "sempre a somar" na noite de Natal e de Ano Novo? Fiquei indignada! Eu acredito que o programa seja muito rentável, mas meus amigos, no Natal? Não teria sido preferível presentear os telespectadores com uma programaçãozita especial? Humm? Assim, uma coisinha mais educativa para a família? Ao menos a SIC abdicou do seu programa análogo - só por causa disto gosto um bocadinho mais dela (e também pelas Mentes Criminosas).

3. Fiquei orgulhosa da AR ter votado a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A ver vamos como é o prof. Cavaco reage a isto. Foi pena a questão da adopção mas lá chegaremos. Não consegui foi convencer a Odete que toda a gente tem direito a casar com quem quiser e que ninguém tem nada de opinar sobre isso. Aos 79 anos a minha Odete mantém-se fiel aos seus princípios religiosos:). A questão da adopção é fácil de resolver: imaginem que foram abandonados ou entregues a uma instituição, o que preferiam? Crescerem com dois homens ou duas mulheres que vos quisesse, que vos tratasse como filho/a, que vos desse amor, educação, um lar, uma casa, ou preferiam crescer à guarda de uma instituição? Eu cá não tenho dúvidas. Até porque mãe e pai é quem nos cria, é quem nos dá afecto, quem se preocupa, quem está ao nosso lado nos momentos chave da vida e isto não tem nada a haver com a biologia.

4. Por falar em família, cada vez mais tenho orgulho na minha família pipoca, incluindo os acrescentos. Ontem o meu pai fez 62 anos e é sempre um prazer as nossas reuniões familiares. Porque nos damos realmente bem, porque sentimos à séria isto da família, porque há emoção e intensidade na forma como nos relacionados uns com os outros e é bonito, pronto. Hoje dizia à minha mãe que me sentia grata pela educação que me deram e que achava que tinham feito um bom trabalho: tanto eu como a minha irmã somos pessoas de bem com a vida, resolvidas, independentes e ao mesmo tempo com um forte sentido de família e de união. Espero ser capaz de transmitir estes valores.

5. O nome da profissão: haverei de engolir o sapo, de aprender a lidar com o orgulho ferido, de aceitar o presente em nome de um futuro, de resignar-me e de me juntar aos fortes, sabendo que ainda é assim é uma vitória. O mundo é injusto mas às vezes recompensa o trabalho, o esforço e a persistência. Eles fizeram por isso enquanto nós dormíamos. Não há escolha possível, é vida ou morte. E se o preço a pagar é o nome, então eu prefiro a vida.

6. Lamento mas há pessoas das quais eu não quero ser amiga. Não tenho interesse, não me traria felicidade, não lhes desejo mal mas não quero saber o que fazem, como e onde estão. Há uma certa pessoa que continua a tentar entrar na minha vida e ainda não percebeu que eu não quero qualquer tipo de ligação, nem que seja uma ligação facebook.

Por outro lado, sabe bem criar laços com as pessoas, percebermos que acolhermos alguém, sermos simpáticos, pode contribuir de facto para o bem-estar do outro. Na empresa onde trabalho as pessoas não acolhem bem quem entra de novo. Parece que têm necessidade de marcar território e de se assumirem com "machos-alfa". Eu cá não sou muito de reservas e como, salvo excepções, não aprofundo para o campo pessoal as minhas relações profissionais, não tenho receio que me roubem o espaço. O meu colega novo tem idade para ser meu pai, é um homem reservado mas com muito valor técnico (como sempre há gente que tem pavor da competência). Eu senti necessidade em apoia-lo, em demonstrar-lhe que o trabalho dele tem sido importante, que se nota a diferença. E ele agradeceu-me pelo incentivo, que foi importante, que o ajudou a integrar-se. Quem iria adivinhar que as palavras de uma miúda causassem impacto num homem maduro? (mentes perversas, o sr. é de respeito e eu acima de tudo!)

7. E para terminar esta expurgação, muita saudinha da boa para 2010, muita paz de espírito e muitos momentos felizes.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Eu gosto tanto do Natal!

Não consigo compreender as pessoas que não gostam do Natal, que têm aqueles discursos moralistas, que o Natal são as prendas e um hino ao consumismo, que as pessoas só se lembram umas das outras nesta época, que é tudo uma hipocrisia. Eu acho que só pode haver muita infelicidade nesta forma de estar.

As prendas são gestos de dar, são formas de dizer "perdi" um pouco do meu tempo a pensar em ti, independentemente do valor monetário. Claro que a solidariedade, a amizade, a palavra valem mais do que qualquer bugiganga, mas para essas acções o Natal não é preciso.

O Natal é como uma espécie de aniversário colectivo, em que toda a gente é ao mesmo tempo o aniversariante e o convidado, é a festa da família, dos amigos, dos colegas de trabalho, das pessoas conhecidas e desconhecidas. E este sentimento de "partilha universal" só se atinge nesta época, digam lá o que disserem. A gente deseja feliz natal ao sr. da mercearia, à sra do café, a gente envia 300 sms a pessoas que só nos lembramos nesta altura (porque a vida é mesmo assim e nem todas as pessoas podem fazer parte da nossa rotina), a gente come doces de empreitada sem culpa, a gente enfeita as casas, as ruas, as lojas. É um momento único!

Tudo isto para dizer que já tenho as prendas quase todas embrulhadas, ao pé da minha árvore e do meu presépio (que ainda sou do tempo do menino Jesus e eu gosto dele). Que estou desejosa de me enviar na cozinha com as 3 mulheres da minha vida, com a bandolete das renas na cabeça, a ouvir os CDs de música natalícia e a sentir que os 30 anos não mataram a criança que existe em mim.

Feliz Natalllllllllllllllllllll!

domingo, 8 de novembro de 2009

Amor é...

Ele levar-me à feira do cavalo na Golegã e conduzir-me adormecida no regresso.

sábado, 7 de novembro de 2009

Um dia perguntaste-me se eu queria uma casa, e eu disse que sim. Que importavam os 25 ainda tenros, que importava o descrédito nos olhos dos outros, que diferença fazia se as coisas não tinham sido fáceis até então. Eu, toda a vida cheia de incertezas e dúvidas, eis que tinha a certeza, a certeza profunda que eras tu o meu homem. Mergulhei sem fazer planos, sem criar expectativas, com a lucidez necessária que era preciso viver um dia de cada vez e logo se veria. Ao fim de 5 anos ainda não sei como foi que atingimos esta felicidade, esta fluidez, este equilíbrio no dar e receber, mas sei que me sinto uma privilegiada por ter direito a este amor.

Podem ser mais 5, ok?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Parabéns Avó Odete!

A Odete faz hoje 79 anos, ainda cheios de frescura e muita personalidade. E que personalidade! Mas a minha Odete, com as suas qualidades e o seu feitio vincado, é uma grande mulher. Uma mulher decidida, inteligente, com iniciativa, cheia de força e de opiniões. Uma mulher definida, independente, interessada e interessante.

A caminho dos 80 ela envia sms, ela vê debates e discute política, ela está sempre a par dos assuntos da actualidade e tem sempre conversa. E a gente perdoa-lhe o dramatismo, porque os escorpiões têm destas coisas. Eles não são más pessoas, são apenas dramáticos. E eu tenho com ela uma relação especial, talvez porque aceito e compreendo a sua forma de ser.

Parabéns avó, que somes ainda muitos anos de vida.