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quinta-feira, 25 de março de 2010

Estou triste


Sinto-me triste. Triste com as pessoas. E eu geralmente gosto das pessoas.
Sinto-me revoltada, porque não gosto de injustiças, de males entendidos, do diz-que-diz. Eu sou ambiciosa sim, muito ambiciosa com os meus afectos e com o meu trabalho mas acima de tudo, eu sou uma pessoa de bem! Ao que parece a minha "promoção" de mais trabalho, sim porque dinheiro nem vê-lo, tem sido mal aceite no meu burgo. Como se fosse eu que tivesse pedido "olhe, como eu ando muito folgada, se não se importasse, passava-me o trabalho do meu colega... aumento no salário? não, não é preciso que eu já sou muito bem remunerada".

Pois que agora vou ter uma secretária, pois que agora vou ficar com tudo, pois que faço exigências. Eu sou resistente, finjo que não percebo, que não me afecta... mas dói-me, rói-me por dentro em dentadinhas repenicadas e fico com vontade de dar um murro em alguém.

Eu cá tenho culpa de acharem que sou capaz? Claro, mas o que eu devia ter feito era ter dito que não, que não queria, que não conseguia, que não-é-para-isso-que-me-pagam! Perdoem-me então, porque isso sim, não sou capaz. Infelizmente tenho este péssimo defeito de não saber dizer Não, e uma excelente qualidade, acho eu, que é não ter medo de novos desafios. Além disso, trabalho tanto à borla noutros locais, já fiz de tudo naquele burgo, que de todo não pertenço ao clube não-me-pagam-para-isto!
....
enfim, a escrita tem de facto um efeito terapêutico, e sinto-me mais calma.
......
Entretanto e não querendo ser uma mete-nojo, daqui a 1 semana e meia estarei neste paraíso, a beber daiquiris, a fumar charutos, a deliciar-me nestas águas mornas. Eu mereço! Mereço mesmo! E agora vou preparar a minha aula, que isto de ser professora tem as suas responsabilidades.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Estou cansada!

Há dias em que o cansaço pesa mais porque a sensação de dever cumprido não chega para atenuar a revolta. Há 7 anos que recebo como estagiária. Eu sei que reconhecem o meu trabalho, que me acham competente e é de facto uma boa sensação. Bem, como costumo dizer, não é difícil brilhar num sítio onde se exige os mínimos. De qualquer forma, aos 30 anos e com 7 de casa, já não bastam as palmadinhas nas costas. Ainda para mais com as discrepâncias entre colegas - é que uns têm cartão do clube e outros não. Está claro que não vou mudar nada, que vou continuar a sair a horas impróprias, a não almoçar, que vou continuar a desdobrar-me em 300 assuntos ao mesmo tempo, que vou continuar a fazer as coisas como eu acho que devem ser feitas, mesmo que o chefe diga "eu tinha dito que queria igual ao que estava." Ao menos, ainda que às vezes sinta que tenho de pedir licença para trabalhar, deixam-me em paz a ser burra, a ser estúpida e a importar-me com as coisas.

Estava na altura de fazerem alguma justiça. Assim eu contratava uma sra. da limpeza e podia trabalhar mais um bocadinho, ah?